No princípio era o Caos (Vazio primordial, vale profundo, espaço incomensurável), matéria eterna, informe, rudimentar, mas dotada de energia prolífica; depois veio Géia (Terra), Tártaro (habitação profunda) e Eros (o Amor), a força do desejo. O Caos deu origem ao Érebo (Escuridão profunda) e a Nix (noite). Nix Gerou Éter e Hemera (Dia). De Géia nasceram Úrano (Céu), Montes e Pontos (Mar).
Na primeira fase há nítido predomínio do mundo Ctônio, já que a cosmogonia Hesiódica se desenvolve ciclicamente de baixo para cima, das trevas para a luz.
O Primeiro reinado conhecido do universo foi o de Úrano (Céu). À fase da energia prolífica segue-se a primeira geração divina, em que Úrano (Céu) se une a Géia (Terra), de onde descendem numerosa descendência. Nasceram primeiro os Titãs e depois as Titânidas, sendo Crono o caçula.
Titãs: Oceano, Ceos, Crio, Hiperión, Jápeto e Crono.
Titânidas: Téia, Réia, Mnemósina, Febe e Tétis.
Após os Titãs e Titânidas, Urano e Geia geraram os Ciclopes e os Hecatonquiros (Monstros de cem braços e de cinqüenta cabeças).
Urano é a personalização do Céu, enquanto elemento fecundador de Geia. Urano Céu era concebido como um hemisfério, a abóbada celeste, que cobria a terra, concebida como esférica, mas achatada: entre ambos se interpunham o Éter e o Ar e, nas profundezas de Geia, localizava-se o Tártaro, bem a baixo do próprio Hades. Do ponto de vista simbólico, o deus do céu traduz uma proliferação criadora desmedida e indiferenciada, cuja abundância acaba por destruir o que foi gerado. Urano caracteriza assim a fase inicial de qualquer ação, com alternância de exaltação e depressão, de impulso e queda, de vida e morte dos projetos.
Por solicitação de Geia, Crono mutila seu pai Urano, contando-lhe os testículos. Do Sangue de Urano que caiu sobre Geia nasceram, "no decurso dos anos", as Erínias, os Gigantes e as Ninfas dos Freixos, chamadas Mélias ou Melíades; da parte que caiu no mar e formou uma espumarada nasceu Afrodite. |